Havíamos evaporado naquela quinta-feira chuvosa -
Uma típica sublimação simbolista e tola.
Levei a cor que me havias furtado dos lábios – Vermelha!
A data, se mencionada, tornaria óbvio o ocorrido.
E tu bem sabes que o óbvio me afugenta.
Pois eis chove. Era Deus!
[Sem gênero, ou cor, ou sorte]
Era simplesmente Deus destilando-nos o corruptível. – Nós,
Tão politicamente corretos, em práticas torpes.
Ontem eu chorei. Não sei se hoje, amanhã ou nunca...
Afinal, qual é a diferença entre eterno e infinito?
Estávamos lá e aqui, e avante.
Venha às 09:00h! Não se atrase! Chegue a tempo!
Tempo? Qual dos tempos?
__Cheguemos logo a uma conclusão antes que o passado engula
nosso futuro.
__O tempo tem 16 anos – disse-me ele em sua prepotência
poética.
Achei lindo! Até me distrai por alguns instantes... Foi quando
passou a sensação de paralisia que percebia a inconstância do universo. Éramos
outros diferentes de nós mesmos, dos de segundos atrás, ou quem sabe os mesmos
de milênios, ancestrais do tão polêmico nada.
O movimento talvez seja a grande ilusão humana,
Abstração de uma espécie de mente divina –
O imperfeito surgindo do perfeito, como se a essência da
vida fosse esse paradoxo.
__Quer um trago?
__Não. Prefiro ir pra casa.
__Tá.
__Ei, e se tudo está acontecendo simultaneamente, é um sinal
de que um tempo não existe, não é?
__Não seja ingênuo, terás que vivenciá-lo de qualquer
maneira. Até mais!
__Não. Até sempre!