As manhãs estão cheirando a morte,
assim como meu corpo
e aquele quarto que foi nosso - No qual insisto em dormir.
[Teu vulto às vezes me pega no colo e vigia meu sono],
Mas quando tento um afago, tu somes,
Desmascarando, assim, minha ilusão.
Acho que a morbidez é contagiosa,
pois só enxergo doentes por perto.
Crédulos e de inocência que cega...
No breu de mim a felicidade é mítica.
Tardes tardias, noites vadias,
Tempo que persegue minha calma.
Qualquer beco me leva ao 257 -
Um número perigoso pra beijar, não acha?
Ah, teus lábios! Meus lábios nos teus!
Teus olhos miúdos, tão meus!
Ar, que urge suspiros de sobrevivência... Estamos longe,
prendendo impulsos quase indesejados.
E dispenso timbres que não sejam roucos, que sejam doutros.
Pintaram o céu de cinza, mas parece que não vai chover.
Isso tudo é uma farsa, do domingo ao infinito.
Não há aceitação sincera.
O que há é uma estrada de sigilos - percorrerei como devota.
Compensação interna [Construída de silêncios].
É segredo, ninguém deve saber,
ninguém além de nós.