Tenho medo dele.
Do jeito doce de aproximar-se
e com isso abordar meu senso crítico e literário.
Velho! Arrepiam-me aqueles olhos pueris -
Quiçá,
sua imagem não fosse tão paradoxal,
eu amável lhe seria.
Confesso que lhe arrancaria os olhos se me permitisse -
Digo, se a consciência me permitisse,
pois não duvido da aceitação senil.
[Só para enfocar a bondade perfeita dos seus mil e tantos
anos, a omissão cristã - católica, apostólica e romana - como um clássico homem
respeitável do século XX].
Perceptível é a intelectualidade dele,
principalmente tratando-se da psicanálise dos meu seios,
fitados por Freud, Saramago ou qualquer outra personalidade
interpretável.
Não serei atriz das tuas fantasias!
Velho! Quantas vezes buliu-me na imaginação?
Anseia fazer-me protagonista do seu corpo reprimido,
usando, para isso, da testosterona acumulada.
E eu, vítima duma feroz timidez, sorrio como o senhor.
Sorrio, mas enxergo o psicopata que és, velho.